Vulca!
Sim, sua origem se assemelha a erupção do seu masculino vulcão, onde lavas são despejadas em meio a mudança. Mudança essa, esperada no caso da banda fundada em 2003 pelo baterista Mauro Morandin e a vocalista Mirla Salem.
Mauro, que já era experiente após passar por diversas bandas de autoria, e já reconhecido por sua autenticidade, assistindo a uma entrevista na TV, onde Mirla falava de suas músicas e fazia a divulgação de seu trabalho solo, sentiu que aquela garota, na época com apenas 19 anos tinha um grande potencial, e a convidou para iniciarem este, que seria seu projeto mais ambicioso e fiel a seus gostos musicais.
No começo, a banda fazia um rockinho simples e cru, fino como uma linha de pipa que voava com o vento.
Era até interessante, por estar do jeito de origem quanto ao nascimento das músicas de Mirla, como se tivessem tocadas no violão, com dois integrantes igualmente simples brincando com o baixo e as cordas da guitarra respectivamente.
Mas os fundadores do hoje Vulca sabiam que as composições de Salem mereciam punch e faltava algo especial.
Por acaso das circunstâncias naturais, o primeiro a deixar a primeira formação foi o baixista. Ele precisava se dedicar mais a sua profissão ou tentar esquecer a beleza da Mirla.
Logo mais, um novo aceitou o convite, mas sua participação na banda, que ainda não se chamava Vulca, lhe rendeu apenas um ensaio e uma tocada num churrasco à beira da piscina.
Ganesh (em homenagem ao Deus das artes e prosperidade), o nome da banda na primeira formação encontrou então o baixista da Segunda formação. Com ele, aquele punch estava mais presente. Também uns ataques de cinco minutos do tipo “preciso ir embora”. Mesmo assim, ele ficou por três anos na banda.
Pouco mais tarde, o primeiro guitarrista resolveu sair, talvez também por querer a beleza da vocalista só para si. Após inúmeras procuras e testes com dezenas deles entra, pro agora Vulca, o guitarrista da Segunda formação.
Ele trouxe mais punch, pra somar com o baixista. O som ficou classe A, e alternativo; com tendências de Jimmy Hendrix. Bateria, voz, baixo e uma guitarra, o som foi ficando mais encorpado e cheio de detalhes, até tomar a forma que tem hoje. A idéia do novo nome para banda partiu do baterista, acreditando na energia das palavras, Mauro sugeriu Vulca, que seria o feminino de Vulcão para homenagear a cantora.
O primeiro registro da banda foi o CD independente, a demo, chamada Minha Vitrola, lançado em 2006, o que levou a banda a um crescimento significativo participando de diversos festivais nacionais importantes como o Festival de Rock Feminino, Banheiro de Meninas e o Grito Rock. Tocaram no Outs em Sampa e casas do gênero. O amadurecimento musical foi assistido pelos primeiros fãs da banda e, foi no mesmo ano, que receberam o convite de uma gravadora de médio porte para regravarem o álbum Minha Vitrola.
A partir daí o Vulca passa por sua terceira e atual formação, que todos acreditam ser a mais completa e definitiva, com Ruy Miranda na guitarra, Ricardo Santos no baixo e André Ferreira na outra guitar. Eis aquele punch que faltava!...
A banda que se destacou no interior de São Paulo por sua levada envolvente e com composições de conteúdo, chegou a dividir os palcos com bandas como Detonautas e O Surto. Com o término das gravações do novo CD em agosto de 2008, o Vulca vem conquistando um lugar ao sol, e buscando se firmar como uma revelação nacional, embalados pela estréia do clipe da música Minha Vitrola na programação da MTV, canção que possui uma letra polêmica, e com um efeito “chiclete”.
A saga vulcanica iniciada por Mirla e Mauro, que está prestes a completar 6 anos, somados ao talento de Ruy, André e Ricardo Santos (Magrello), são a prova viva de que é possível se fazer um som temperamental com levadas pesadas e leves, sombrias e singelas, tudo e nada ao mesmo tempo, pois nem sempre as canções terminam da mesma forma que começaram.
|